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4 de abr de 2018




É inegável que há fases na vida em que as coisas parecem desandar, tudo fica mais complicado, os imprevistos surgem, os entraves aparecem, alguém apronta alguma coisa conosco... Só de listar, já fico suado. Mas, por pior que seja, essa é uma característica da vida. As coisas não são fáceis mesmo e, ainda por cima, sempre tem alguém para tornar pior. 

Então, se você esbarrou num problema e as coisas não estão muito bem, sente, respire fundo e se permita sentir o que o coração mandar naquele momento. Sofrer é permitido e ficar para baixo também, mas não para sempre.

Há um tempo, enfrentei situações muito ruins devido a uma pessoa tóxica. Foram semanas de assédio moral, chantagens emocionais, descrença e desdém. A princípio, aquilo me pegou desprevenido e o choque me deixou deprimido. Sofrer injustiças é sempre terrível para qualquer pessoa e isso me causou muita dor e revolta. 

Pensei em reagir de diversas maneiras, pensei até em revidar na mesma moeda, entrar no jogo e devolver toda a toxidade que estava recebendo. No entanto, refleti um pouco mais e fiz o que costumo fazer: me dar um tempo. Esse dar um tempo consiste em me desligar um pouco, me afastar do caos e me reaproximar do meu eu. É um processo de reconexão, quase como recarregar as energias.

E, apesar de toda a ansiedade e ira que me acometem nessas horas, aprendi que é necessário parar e pensar. Sair do campo aberto de batalha, ir para a trincheira, procurar abrigo e refazer a estratégia. Costumo dizer que o silêncio tem sido meu amigo há anos e é justamente por isso. No caos, supero os ímpetos de revidar e silencio para buscar uma solução.

Foque na solução, não no problema

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Sonho, coragem, inspiração e harmonia


É essencial não focar apenas no problema e, por isso, me obrigo a buscar soluções diferentes e criativas. Problemas são obstáculos que precisam ser superados, são degraus que precisam ser subidos para se alcançar um novo patamar. 



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Nesse processo, para cada coisa ruim que me acontece, procuro fazer outras duas boas. Seja uma atividade prazerosa, um passeio, uma boa leitura, uma nova ideia para um projeto, um novo sonho, etc. Há sempre infinitas possibilidades e todas elas dependem de nossas escolhas, de como agimos e reagimos diante da vida. 

As respostas para nossos problemas estão dentro de nós, basta saber procurar com paciência e humildade. Não é fácil, como nada é na vida, mas nos ajuda a superar as dificuldades e expandir nossas possibilidades. 

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25 de fev de 2018




Há um tempo, tirei uma manhã de domingo para acompanhar minha amiga Michele no shopping. Só iríamos resolver uma coisa rápida numa das lojas e depois iríamos embora. Até a loja abrir, ficamos conversando e passeando pelo shopping quase deserto. Fomos à praça de alimentação e, enquanto comprávamos um milk shake, alguém tocou o ombro de Michele e ouvimos uma voz doce e trêmula falar:

- Uns com tanto e eu quase pelada.

Olhamos para trás de imediato em busca da dona daquela voz. A princípio, não entendemos de onde ela veio e, muito menos, do que ela estava falando. Só depois, observando melhor, vimos que era uma senhora de idade avançada, com alguns curativos na pele frágil e cheia de manchas e o cabelo muito falhado. Só aí entendemos que ela falando dos cabelos de minha amiga.

Michele é dona de um cabelo afro poderoso que chama atenção pela beleza e pelo volume. Quando cumprimentamos aquela senhorinha, sentimos aquela coisa boa quando conhecemos alguém do bem. Ela nos transmitiu uma energia tão boa que ficamos encantados na mesma hora. Sem exageros, ficamos sem reação, até mesmo para conversar um pouco mais com ela.

Eu e Michele ficamos impressionados com sua simpatia e graça. Ela nos desejou bênçãos e saiu. Algumas horas mais tarde, ainda no shopping, estávamos caminhando quando a reencontramos e, mais uma vez, ficamos sem reação, encantados com sua simplicidade e alegria. 



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Muito festiva, pegou em nossas mãos amavelmente e pude sentir como sua pele era delicada. Ela recordou um ditado que costumava ouvir quando morava no Rio de Janeiro.

- Pessoas com a energia boa se atraem – disse com um grande sorriso no rosto.

Ela disse que nada era por acaso e que nossa energia, a de Michele e eu, a atraiu até nós. Ela era aquele tipo de pessoa fofa e nos marcou com sua simplicidade e humildade.

Conversando mais tarde com Michele, refletimos o quanto aquele encontro iluminou nosso domingo. Pode até parecer bobagem, mas aquela senhorinha com o cabelo falhado nos deu um lembrete da importância de cuidar da nossa energia, pois atraímos o mesmo que transmitimos. Semelhante atrai semelhante.

Sou grato a ela e à vida por mais esse aprendizado.



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21 de fev de 2018


O fracasso mexe com nosso ego, pois significa que algo falhou. É algo que dói e digo isso porque, há poucos meses, vi muita coisa dar errado em minha vida. Atividades que antes me satisfaziam, deixaram de ser prazerosas e se tornaram cansativas, enfadonhas e deprimentes. E foi nesse cenário que tive que aprender a lidar com o fracasso.

Eu estava deprimido, estressado e ansioso. A frustração se misturou a um sentimento de incapacidade e inferioridade. Me arrastava em um emprego que não me fazia feliz, dentro de uma rotina cansativa e improdutiva. E se você acha que depois de tantos desacertos as coisas simplesmente começaram a melhorar, se enganou. As coisas conseguiram ficar ainda piores.

Mas chegou um momento que eu cansei. Cansei de trabalhar com o que eu não gostava. Cansei de abandonara escrita por preguiça ou medo de não aceitação. Cansei de me colocar como vítima e fiz um esforço para deixar de resmungar e tomar uma atitude racional.

Nessa fase, tive que tomar decisões que procrastinava há meses. Mudei de emprego, estou mudando minha rotina e aprendendo a fazer coisas que antes acreditava que não conseguiria. Como toda mudança, foi um momento de instabilidades, insegurança e medo. Mas, acima de tudo, foi um momento de aprendizado profundo sobre quem eu sou, onde estou, com quem estou e onde quero chegar.

Enquanto o furacão passava, escrevi uma crônica que está em meu blog chamada “O lado bom do caos”. Ela simbolizou essa mudança, foi quando me obriguei a enxergar que as dificuldades fazem parte da vida de qualquer pessoa e que fracassar é normal.

O importante mesmo é o que a gente faz com esse fracasso.


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Entendi que cabe a mim decidir se o caos e o fracasso vão me destruir ou serão uma oportunidade de me reinventar, superar e crescer. Os sonhos são possíveis quando acreditamos e lutamos por eles. Por isso, sempre temos que lembrar que as tempestades passam e as nuvens se dissipam. É por isso que não podemos deixar o desespero nos dominar e o medo nos paralisar. A vida pode não estar sendo fácil e tudo estar fora de controle, mas não é fim do mundo, talvez você só precise descansar, avaliar a si mesmo e recomeçar.

O primeiro passo é acreditar!
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22 de jan de 2018





Ao longo dos anos, venho conhecendo diversas pessoas por meio do blog, pessoas que lêem, se identificam com algum trecho, que concordam ou não, etc. Pessoas diferentes, distantes fisicamente e até mesmo socialmente, mas a maioria aparecia com algo em comum: a dor da perda. O “deixar ir” era o maior desafio naquele momento.

Temos uma tendência a idealizar a vida, a esperar demais e nos apegar demais às pessoas, locais ou momentos. No entanto, tudo é passageiro. Há coisas que duram muito tempo, outras nem tanto. Aprendemos a conquistar e a vencer, mas nem sempre estamos prontos para derrota.

Lembro que alguns daqueles leitores reclamavam de quase tudo o que viveram e viviam ao lado de seus parceiros, a maioria eram relacionamentos falidos, desgastados por brigas, orgulho e ciúmes, alguns até mesmo por abuso. Faziam questão de mostrar porque eram infelizes. No entanto, mesmo com tantos motivos, ainda era muito difícil reconhecer que o ponto final talvez fosse a melhor solução.

Um leitor uma vez comentou sobre um texto meu e disse que sentia que era hora de dar um basta na relação que vivia na época. Dizia-se cansado de sofrer e de viver tantas instabilidades pelas incertezas da outra pessoa. Ele já sabia que não valia a pena sofrer nem se desgastar tentando fazer a relação voltar a ser como era no início. Esse leitor se tornou um grande amigo e o vi escrever seu ponto final discreta, calma e decididamente. Ainda assim, não foi um processo fácil, como pude acompanhar.

Muitas vezes, os parágrafos finais de uma história já foram escritos, mas falta coragem para colocar o último ponto. Decidir talvez seja a parte mais difícil, pois o que vem depois é libertador. Deixar a pessoa ir é uma grande prova de amor ao outro e a si mesmo, afinal sofrer não vai fazer bem a nenhum dos dois.

Dalai Lama escreveu sobre quando estamos envolvidos demais com qualquer sentimento, seja amor ou ódio, e que temos que olhar para dentro e questionar: “o que é afeto? E o que é apego? Qual a natureza da raiva?”. As respostas estão dentro de nós e nos cabe entender até onde vai o afeto e começa o apego.

Do que você precisa desapegar?



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Desapegar no sentido de saber que estamos todos de passagem e que ninguém pertence a ninguém. Saber que as coisas nem sempre saem como queremos. Perdoar os erros do outro. Reconhecer os próprios erros. Perdoar a si mesmo. Deixar ir. Tudo é decisão.

Esse texto é mais um lembrete a mim e aos meus leitores de mais tempo de que crescemos com tudo que passamos. E constatamos que, como dizem, segurar a corda machuca mais do que deixar ir.
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16 de jan de 2018


Era véspera de páscoa quando achei uma foto interessante no Pinterest, salvei e publiquei no perfil do Instagram do Cara do Espelho. Tratava-se de uma dessas pichações poéticas. Nem a foto, nem a frase eram minhas, mas aquela publicação viralizou e ganhou quase 400 curtidas, um número expressivo para um perfil que não tinha mais que 300 seguidores e as publicações não passavam de 20 likes

Confesso, me senti incomodado com o fato de um conteúdo alheio ter viralizado. Porém, aproveitei a oportunidade para divulgar mais meu o trabalho, investi em publicações parecidas e produzi as minhas nos mesmos moldes. Em três meses, consegui mais de 400 seguidores, alguns até famosos. Foi gratificante ver o crescimento fruto do meu esforço, mas acabei perdendo o fôlego.

De repente, os meus conteúdos autorais não tinham tanto alcance e comecei a me comparar com outros blogs literários e essa comparação me despertou sentimentos ruins de inferioridade. E isso tomou conta de mim em relação às outras redes sociais, incluindo nos perfis pessoais. Eu via a felicidade, agitação, beleza e perfeição em todas as publicações nos feeds e stories e me sentia pequeno e desnecessário perto de tudo aquilo. 


A imagem nos afeta

Reprodução: Netflix

Já experimentei outros afastamentos das redes por estar saturado desse mundinho, mas nunca por me sentir inadequado. Quando me dei conta do que estava acontecendo, lembrei de um texto que li no blog Coisas de Carol, da minha amiga Carol Matias, que fez uma reflexão sobre como nos afetamos pela imagem nas redes sociais. Ela escreveu isso em setembro e, na época, não me dei conta que começava a viver aquilo. 

No texto, Carol falou sobre como foi estar numa rede social e não se sentir confortável em ser ela própria, por ter receio de não estar à altura do que é publicado lá. “Eu me sentia e sinto estranha por que, caramba, todo mundo é tão lindo, tão inspirado, tão legal no Instagram, vida maravilhosa e eu não consigo nem postar uma selfie com uma legenda legal uma vez ou outra. Isso me fazia/faz um mal danado”, escreveu.

Esse trecho me pegou! Há alguns anos, minhas redes estavam cheias de fotos minhas, textos autorais e reflexões. Eu fazia isso porque me fazia feliz compartilhar momentos pessoais e ainda divulgar minha produção artística. Com a faculdade e trabalho, diminui a quantidade. Só que, de uns meses para cá, fui tomado pela mesma sensação descrita por Carol, tanto para minhas fotos quanto para meus textos. 

E foi pesquisando sobre assessoria de comunicação, que encontrei um vídeo que veio a calhar com essa reflexão. A jornalista e coaching de imagem e reputação, Nathana Lacerda, publicou um vídeo em seu canal comentando sobre o dia em que ela decidiu postar uma foto de cara limpa – largada mesmo –, logo depois de ver aquela enxurrada de fotos perfeitas do Instagram. Sua intenção foi mostrar que não há motivos para ter vergonha da sua realidade só porque ela é diferente das outras pessoas. 


Não devemos comparar nossas vidas com a dos outros


Já escrevi sobre comparações na vida profissional e, agora, percebo que a raiz do problema é a mesma nesse caso. Ao comparar e julgar minha vida e meu conteúdo como ruim ou irrelevante, deixo-me tomar por um sentimento de inferioridade paralisante. No entanto, não há motivos para isso, pois eu já sei que todos somos diferentes e vivemos contextos diversos.


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Não posso pautar minha vida de acordo com o que os outros vão ou não pensar de mim, muito menos querer imitar esses padrões de beleza e comportamento. Preciso ser eu mesmo. E se, por acaso, eu não me sentir confortável em ser quem eu sou, já sei que há algo que preciso resolver e uma lição a aprender.

Como disse a Carol Matias, em sua reflexão: “a partir de hoje terão fotos feias sim, terão fotos espontâneas sim, terão fotos que contem histórias e momentos sim”. 

Nada mais justo, pois somos humanos, somos diferentes, somos muitos e, ao mesmo tempo, somos únicos. Temos fases de alta e também de baixa. Então, vamos ser reais onde quer que estivermos, na rede social ou na vida. Até por que ninguém gosta de fakes, né? 

Leia a crônica da Carol aqui: http://bit.ly/reflexãoCarolMatias

Assista ao vídeo da Nathana: 







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4 de dez de 2017

Na foto: "Bette" Davis (1908-1989), uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro conhecida por interpretar personagens antipáticas, maldosas e problemáticas.

Cresci ouvindo as pessoas falando que tinham ranço de alguma coisa, na longínqua Simão Dias. Graças a Deus, a expressão pegou e hoje em dia todo mundo diz que “pegou ranço” de algo. O significado da palavra tem relação ao mau cheiro, seja de decomposição, mofo ou de ambientes abafados. No sentido figurado, o vocábulo vai além e, atualmente, também é sinônimo de repulsa e desprezo.

Parei para pensar sobre essa palavrinha, porque tive uma conversa com uma amiga sobre como o ranço definia muito o que sentíamos por certas pessoas, situações e lugares. Para terceiros, o papo poderia até soar arrogante e presunçoso, mas, para nós, revelou que um momento de transição está em curso. 

Algumas dessas coisas pelas quais nutrimos tal repulsa foi, em outras épocas, parte importante de nossas vidas. Eram pessoas e coisas que realmente gostávamos de ter por perto, pois nos faziam bem, nos divertiam, nos acalmavam, estimulavam ou mesmo ficavam inertes. Só que, em algum momento, a coisa mudou e deixaram de ser agradáveis. 
Mas como isso foi acontecer?

Fazendo um retrospecto – essa época do ano é perfeita para isso –, percebi que, em alguns casos, desentendimentos e brigas foram a causa da ruptura e afastamento. Em outros, a coisa foi silenciosa, pois se deu com o tempo e com pequenas atitudes que resultaram em um distanciamento definitivo. O curioso é que percebi que, nesses casos, não se tratava necessariamente de repulsa ou desprezo por essas pessoas e/ou momentos, mas, sim, um rearranjo das coisas. 





O tempo passou, os cenários mudaram e as prioridades são outras. Certas coisas não cabem mais em minha vida, pois não há mais espaço na minha estante de prioridades. Não que tenham se tornado ruins, é que simplesmente não fazem mais sentido para mim. Tiveram um significado importante no passado e podem até voltar a ter no futuro, mas no presente, não me cabem mais. 

Dessa conversa com minha amiga, percebi que o que temos chamado de ranço, são só as nossas prioridades mudando com o passar do tempo. 


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21 de nov de 2017

Foto: Ian Ricardo

Quarta, 28 de outubro de 2015

Insegura.
Tudo parecia bem, estava confortavelmente sentada, ouvindo música, quando como um tapa na cara, veio o receio. O receio de ficar sozinha.
O receio de nunca encontrar alguém paciente o suficiente para aturá-la. 
“Mas ele deverá amar até os seus defeitos”, dizem os amigos. Quem dera fosse assim tão fácil, já seria raro o suficiente encontrar alguém que a amasse, encontrar alguém que ame até os seus defeitos, seria pedir demais.
Por mais que parecesse madura ou que sequer se importava com isso, ela realmente ligava.
Com seus quase vinte e um anos, ainda era a insegura de dezesseis. A que gostava de clichês, os quais muito poucos viveu. Aquela que imaginava situações ao lado de outra pessoa, mas que tinha certeza que nunca aconteceria. 
Assim, começou a escrever.
Passou a escrever aquilo que tanto ansiava, mas sabia que muito provavelmente não teria. A fase passou, e ela continuou a dizer que não se importava, que não tinha tempo, que tinha outras prioridades. E, por mais que repetisse diversas e diversas vezes, sabia que apenas se enganava.
Então, quando sozinha, ela chorava.
Pensava o que poderia ter errado com ela, perguntava-se por que todas as vezes ela tentou, não dera certo. 
Bem, talvez fosse sua culpa, ela que era complicada demais. Ela que tinha traumas demais. Ninguém era obrigado àquilo.
Porém, por mais que tentasse, por mais que desse o melhor de si, por mais que calasse, de nada adiantava.
Sendo assim, as pessoas desistiam dela. 
Não é como se pudesse culpa-las, afinal. Citando uma frase que muito saía dos lábios dela “ninguém é obrigado”.
Mexeu a cabeça e, por um tempo, decidiu deixar para lá. Sabia que, quando sozinha, tudo voltaria, mas naquele momento, ela parou de se importar.
Que os finais felizes ficassem para seus personagens.

(Por Thiarlley Valadares)




Thiarlley Valadares

Jornalista, cristã, escritora de fanfictions e péssima dançarina nas horas vagas! Apaixonada por cupcakes, viciada em leite condensado e fã de Desventuras Em Série.  Autora do blog Apenas Fugindo desde 2010 e escreve para compartilhar sentimentos, anseios, desejos e paixões.

Site: Apenas Fugindo       Facebook: Apenas Fugindo Blog     Instagram: @apenasfugindo

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5 de out de 2017



“Afinal, quem é você? Diogo ou o Cara do Espelho?”. 

Foi isso que me perguntaram outro dia e, sinceramente, não sei mais dizer. Por muito tempo mantive os dois separados. Na verdade, o Cara era uma via de escape para emoções presas. Como se eu tivesse que manter minha essência dividida em dois e alternar entre um e outro.

Tudo começou num dia sombrio quando esbarrei com o espelho e me perguntei: quem é você, cara do espelho? Engoli seco por não saber a resposta. O estado depressivo nos desconecta de nós mesmos e eu estava tão preso dentro de mim que me perdi lá dentro. 

Um refrão ecoava insistente no rádio: “estou começando com o homem no espelho/ estou exigindo que ele mude seus modos”. Foi quando percebi que estava com uma venda, uma mordaça e tampões no ouvido que coloquei enquanto construía uma fortaleza de cristal ao meu redor. E a canção continuava “se você quer fazer do mundo um lugar melhor/ olhe dentro de si mesmo e faça aquela MUDANÇA”.




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Não dependia de meus pais, dos meus amigos, dos meus professores, a mudança dependia apenas de mim. Foi assim que comecei a escrever e vi minha vida inteira mudar. Pois nós não somos nada, estamos somente de passagem, então não precisamos ser ou pensar a mesma coisa a vida toda.

Quando me esqueci disso, a depressão e ansiedade voltaram e precisei analisar o que estava errado. Em algum momento, baixei a guarda, deixei que certas coisas me atingissem e me anulei. 

Percebi que estava preso dentro de um personagem mais uma vez, como se quisesse manter a imagem de um Diogo que não existe mais. E isso não era mais possível, pois eu mudei! E vou continuar vivendo, aprendendo e mudando.

É tempo de sair do personagem, esticar os braços e as pernas e tirar o peso das costas. Olhar a si mesmo e se reconhecer sem máscaras, aceitar nossas forças e fraquezas e saber que são essas duas medidas que nos fazem ser quem somos.

Para mudar, não basta se colocar diante do espelho, é preciso encará-lo e mergulhar no próprio reflexo. Refletir por si só, descobrir-se. Isso é encontrar a luz e a paz interior. 

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12 de set de 2017


Foto: Nola Fotografia
Quando eu digo que curso jornalismo, as pessoas costumam falar: “vai ser o novo William Bonner”, “vai ser o novo Evaristo Costa”. Quando digo que eu gosto de escrever e de literatura, me dizem: “vai ser o novo Rubem Alves” (que pretensão). E assim vai, para cada tarefa que faço, um novo ícone é lançado como sendo o meu suposto objetivo de vida.

Mas não me interessa ser nenhum deles! Eles são maravilhosos, mas não quero ser a nova versão de ninguém. Primeiro, porque é impossível ser outra pessoa, correto? Segundo, porque a única pessoa que eu quero ser é um novo eu.

Mas parece que o importante é comparar, enaltecer uns e diminuir outros. Colocam em nossas cabeças que precisamos ter o mesmo sucesso de alguém. Essa semana, li uma frase que dizia que não devemos comparar nossos bastidores com o palco do vizinho. Isso foi um choque de realidade.

Eu estava acostumado a achar que não conseguiria ter leitores no blog, seguidores nas redes sociais e, o que mais me afligia, ter uma carreira no jornalismo, mesmo com minha essência pedindo literatura. Eu via tantos escritores tendo sucesso com seus projetos, tantos jornalistas escrevendo e lançando livros. Mas o sucesso era sempre com eles e nunca comigo, eu nem tentava imaginar o tamanho do trabalho que eles tinham com seus blogs. Queria ser igual a eles, chegar naquele patamar.

Fui me moldando para fazer essas coisas acontecerem, mas não aconteciam. Mas o que eu sabia sobre o trabalho deles? Se eu detesto ser comparado aos outros, por que eu estava me fazendo essas mesmas comparações? Assim como eles, eu precisaria trabalhar duro em meus objetivos, pois o sucesso deles não veio por acaso, não foi fácil. Precisei repensar isso, rever certas atitudes e a conclusão foi simples: eu não quero o lugar de ninguém, quero conquistar o meu lugar.

O primeiro passo foi parar de olhar para o gramado verde do vizinho e cuidar mais do meu jardim. Me recordo que, há quatro anos, o único lugar para onde meus textos iam era a minha gaveta. Então criei o blog. E isso não foi nada, pois tive que aprender a usar as plataformas, tive que conseguir público, desenvolver minha escrita e tantas outras habilidades. Durante o curso de jornalismo, vi diversos blogs – semelhantes ou não ao meu –  surgirem e serem abandonados por colegas que viram que não é simplesmente publicar e deixar o conteúdo lá.

Anos depois, o mesmo blog ainda me dá muito trabalho, mas ele se tornou o meu diferencial e, graças a ele, consegui estágios, freelas, amigos, leitores e a coluna no portal de notícias. E eu não poderia esquecer essas conquistas pelo simples fato de não ter o mesmo número de acessos que um outro blog tenha. Cada vitória, por menor que seja, e cada espaço que consegui abrir para meu trabalho foi porque fui eu mesmo, porque eu não quis ser alguém diferente.

Quando disse lá no começo que só quero ser um novo eu, não é mentira. Minhas referências me inspiram e me ajudam a me (re)compor. Então, quero ser eu mesmo de maneiras novas para me renovar... me reinventar, pois é isso que movimenta minha escrita e é isso que faz a minha arte. São os meus estados emocionais, as minhas fases, os degraus que subo e todas as mudanças, as que eu sofro e também as que eu promovo. Tudo isso faz parte da minha trilha que é única, ou seja, não é igual a de mais ninguém.

A gente caminha melhor quando sabe que cada um faz seu próprio caminho.

Diogo Souza, em 4 de setembro de 17


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28 de ago de 2017


Uma boa notícia para quem curte os meus textos é que agora você também vai poder ler minhas crônicas no portal Soma Notícias de Aracaju. Fui convidado pela equipe do Soma para ser um dos colunistas literários e aceitei o desafio. 

Minha coluna vai ao ar aos sábados e vai trazer reflexões sobre a vida, relacionamentos, autoconhecimento e os meus insights que vocês já me conhecem.  

Muito obrigado ao pessoal do Soma Notícias pelo carinho e confiança. 

O primeiro texto já está disponível lá e é sobre uma síntese sobre o que já escrevi aqui antes: mudanças

🔗 Leia agora: Viver é Mudar. 



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27 de jun de 2017



Vou me pendurar no lustre, no lustre
Vou viver como se não houvesse amanhã (Sia – Chandelier)

Você já olhou para o céu numa noite escura e sem nuvens e se sentiu tão pequenino quanto um grão de areia? Não? Deveria. Desde guri sou fascinado pelos céus. Aprendi que era lá onde Deus movimentava e observava toda essa loucura toda aqui em baixo. Também ficava imaginando se haveria, por essa imensidão espacial, outro moleque observando os céus como eu, adoraria conhecê-lo. 

Acredito que olhar o céu e se reconhecer como uma pequena parte de um todo, até então conhecido como infinito, é o maior ato de humildade e de humanidade que um ser humano pode fazer. Isso independe de crenças religiosas ou de rituais. É voltar às origens, voltar bilhões e bilhões de anos-luz até o Big-bang e simplesmente explodir e expandir. É expandir a mente ao infinito e saber que o céu não é o limite. 




Saber que assim como as estrelas, todos aqui em baixo seguimos nossas órbitas (regulares ou não). Somos como constelações, estrelas que se observadas isoladamente não fazem muito sentido, mas em conjunto com outras, ainda que distantes, constituem formas, desenhos e significados. Olhar o céu me faz lembrar que precisamos um do outro para fazer sentido, que não somos o centro de nada, que há uma força maior nos guiando (divina ou meramente social, não sei). Olhar a imensidão do universo não me faz sentir pequeno, muito pelo contrário, me sinto especial. Isso me faz sentir único! Um cara extremamente sortudo por fazer parte de algo tão grandioso como a vida.


07 de julho de 2015 – 19 de outubro de 2015 
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13 de jun de 2017



Finalmente o reencontro, estou frente a frente com uma página em branco e, depois de tanto tempo sem nenhuma novidade, descubro que nada está como antes. 

Passamos a vida buscando estabilidade em todos os aspectos possíveis e vamos construindo nossos castelos, fazendo o possível para manter tudo do jeito que está. Mas as coisas não são tão simples, o tempo passa e a zona de conforto começa a ficar desconfortável, cada vez mais apertada. Sufocante.

Como pode aquilo que construímos com tanto trabalho para nos deixar em paz e seguros nos causar dano? Somos humanos, seguimos uma longa e incessante jornada, sempre em movimento. Desde o nascimento até a morte. Precisamos nos movimentar, seguir o fluxo da vida. Então, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos ficar da mesma forma e no mesmo lugar. Nossos pensamentos mudam, assim como a nossa pele enruga com o passar dos anos.

Eu mesmo passei por um longo processo de mudança interior há alguns anos, enfrentei muitas crises internas e custei a compreender o que se passava comigo. Saí fortalecido e mudado desse processo e isso foi ótimo. Mas acabei achando que eu era somente o que me tornei depois de passar daquela fase e esse foi o meu erro, pois eu sou muito mais do que aquilo, tanto em coisas boas quanto em ruins.

De certa forma, criei um novo personagem para mim e acreditei nele. Muito mais do que a ser, me obriguei a sempre aparentar ser forte. Então vendi uma imagem minha que, embora não fosse totalmente falsa, não era a única faceta. Então, quando os momentos de fraqueza e instabilidade chegavam, acabava me esforçando para ignorá-los ou atacá-los com a força que eu não tinha.

Esse é o perigo de não querer mudar, você aceita uma forma de ser e agir e se priva de ser você mesmo em sua totalidade. Sei, é confuso, mas é exatamente assim que estou: confuso. E, acredite, isso não é ruim, pois me acostumei a estar sempre no controle e, como isso não é possível 100% do tempo, sofro com ansiedade e estresse.  Então, considero uma vitória agora aceitar o fato de que eu não posso estar bem a todo o tempo.




É tempo de sair do personagem, esticar os braços e as pernas e tirar o peso das costas. Olhar a si mesmo e se reconhecer sem máscaras, aceitar a força e a fraqueza e saber que são essas duas medidas que te fazem ser quem é.

Diogo Souza, 
04 de janeiro de 2017, às 19h:29


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8 de jun de 2017



Quem dera se a vida fosse tranquila, estável e previsível. Quem dera se nossos planos e sonhos se realizassem facilmente. A vida seria maravilhosa, não é? Mas, se quiser mesmo saber, acho que ela não seria assim tão perfeita. E digo isso sem medo de parecer o louco da autoajuda, pois que graça teria se tudo fosse simples e fácil? Com tudo dando certo, o que faríamos de novo para melhorar as coisas? Ficaríamos bem confortáveis e aconchegados em nossas rotinas perfeitas e tudo se resumiria a uma tediosa existência.

Então, desse ponto de vista, toda a instabilidade que a vida nos lança é uma coisa positiva, pois nos estimula a dar um passo adiante – ou para trás – e, desta forma, não ficarmos estagnados. O problema é que, quase sempre, as adversidades não vêm sozinhas e as coisas podem sair do controle, o que também é natural. É um processo intenso de resistência e persistência. 

Como não somos de ferro, mais cedo ou mais tarde, chega aquele momento em que cansamos. Exaustos, nos jogamos no sofá sem entender o porquê das coisas nem imaginar uma saída. Fraquejamos, é verdade, pois são tantas as pancadas e quedas – sem esquecer da ansiedade, do medo e da tristeza. Tudo girando caoticamente, como um furacão no meio da madrugada.

É preciso lembrar que, quanto mais escura a noite, mais próximo está o nascer do Sol. Tempestades passam. Nuvens se dissipam. É por isso que não podemos deixar o desespero nos dominar e o medo nos paralisar. A vida pode não estar sendo fácil e tudo estar fora de controle, mas não é fim do mundo.

É você quem decide se o caos será aquilo que te destruirá ou será a grande oportunidade para se reinventar, superar e crescer. Os sonhos são possíveis quando acreditamos e lutamos por eles. Em breve, toda a escuridão se dissipará e você superará essa longa madrugada e reencontrará a luz. Nesse momento, vai perceber que toda essa louca jornada valeu a pena.


Diogo Souza, 31 de maio de 2017

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25 de mai de 2017

Foto: Reprodução Netflix

Ela era uma princesa de um reino encantado, uma heroína ou até mesmo uma deusa protetora da floresta e dos animais. Trajando seu esplendoroso vestido azul celeste e um delicado véu com uma joia de inestimáveis beleza e valor, ela andava solenemente proferindo seu eloquente discurso sobre amor e amizades eternas. Até alguém abrir a porta e interromper o sonho de olhos abertos da órfã maltrapilha.

Anne, com um E no final, uma dessas garotinhas serelepes e tagarelas, que pode até nos causar uma primeira impressão negativa, mas que se mostra uma pessoa espetacular. Dona de cabelos ruivos e fartas sardas no rosto, ela se divide entre a amargura deste fétido mundo e a magia da imaginação. Sua personalidade forte faz dela uma menina independente, forte e decidida, mas as marcas do passado e a ausência de uma família a tornam frágil e insegura, descrente de sua beleza e seu futuro.

Mas tudo isso muda com um terrível engano. Um destes erros bobos que mudam totalmente a vida dos envolvidos. Foi assim que Anne foi adotada pelos irmãos Cuthbert, que, na verdade, queriam adotar um menino órfão para o trabalho na fazenda. Mas Anne não tinha culpa disso e nem mesmo sabia desse pequeno detalhe e passou toda sua viagem até Green Gables tomada de extrema euforia. 

E não era para menos, depois de tantos anos de solidão, agressão e rejeição, um casal de irmãos solitários e caridosos havia escolhido uma menina para adoção para enchê-la de amor e afeto familiar. Seria perfeito como nos livros. E foi perfeito em cada detalhe, seja ele real ou aumentado por sua imaginação, a trilha mais linda por onde passou, paradisíaca rumo a uma nova vida colorida, longe da apática cor cinzenta da cidade grande. 

Até o erro ser revelado e seus sonhos e esperanças serem atrozmente despedaçados com a mesma força que as palavras longas e complicadas que usava em seu intenso vocabulário. Anne não tinha sido escolhida, era um engano, ainda era a mesma menina rejeitada de antes, chorando um oceano de lágrimas, afundando cada vez mais em seu complexo de inferioridade. 

Mas ela não sabia, muito menos os Cuthberts, que desacertos como esses são a forma que a vida reorganiza as coisas. Dando um empurrãozinho aqui e outro ali. Anne não sabia que o amor surge exatamente nessas condições e que os momentos difíceis não são o fim de tudo, mas apenas montanhas que devem ser escaladas, pois é no alto delas que se pode apreciar a vista. Anne ainda tem muito o descobrir, mas também muito a ensinar.   

Sobre a série "Anne with an e" da Netflix: 


Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a orfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo. 




Assista ao trailer: 


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18 de mai de 2017


Quando acordo do seu lado, tenho uma contraditória vontade de querer dormir e, ao mesmo tempo, ficar acordado. Tudo isso para sentir este calor mágico que envolve o nosso abraço, esse calor que anda curiosamente de mãos dadas com o frio. E, assim, posso sonhar e viver o sonho num momento único em que a fantasia e realidade se encontram e se confundem.

Acordar com você em meus braços é te apertar contra mim e sentir que somos um só. Sentir na pele a carícia do leve toque da tua respiração. É entender as confissões mais íntimas do seu delicado ressonar sobre o meu peito. 

É como se o tempo parasse ou pelo menos ficasse num vai e vem entre o passado e presente. Como se perdêssemos a noção de tempo e espaço, numa viagem à outra dimensão onde somente nos caiba, sem mais nem menos. 

Como se o que tanto tínhamos a dizer já tenha sido dito no mais significativo silêncio. Daqueles raros, sustentados por olhares dizem muito. E que nossos olhos digam tudo. Que eles falem, cochichem, gritem e cantem tudo o que é preciso dizer nessa nossa total desnecessidade de palavras.

Por Diogo Souza, em 23 de fevereiro de 2014
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9 de mai de 2017

Faz um tempo que eu pedi aos seguidores do Cara do Espelho sugestões de temas para posts e vídeos no blog. Um dos temas foi a solidão na era da internet. Quando recebi a sugestão, iniciei um texto com coisas que pensava a esse respeito. Também fiz uma pesquisa na internet sobre o tema e montei uma lista do que eu achava que poderia ser. 


Reprodução: Netflix


Mas eu precisei de alguns meses para realmente entender o que era esse sentimento de solidão em plena era das comunicações digitais. Em mim, isso começou com aquele período em que ficamos cismados das coisas, com as pessoas e seus comportamentos a nossa volta. Então, todas aquelas publicações engraçadas, emocionantes, religiosas e sensuais que apareciam no feed do Facebook começaram a me incomodar.

Foi aí que encontrei um dado que me fez refletir sobre isso. Pesquisadores da Universidade Edinburgh Napier, da Grã-Bretanha, entrevistaram 200 estudantes que são usuários do Facebook e outras redes sociais  e listaram as situações que mais geram estresse. Dos alunos questionados, 12% disseram não gostar de receber novas solicitações de amizade, enquanto que 63% demoram para responder a esses pedidos. Os pesquisados afirmaram que se sentem pressionados para fazer atualizações criativas e manter seus perfis atualizados.

Essas e outras coisas estavam me deixando estressado, mesmo sem eu perceber e entender o motivo. Li que quando estamos sob estresse e ansiedade, as redes sociais e todo esse mundo virtual, que adotamos como real, começam a nos incomodar. E, nessas horas, segundo os especialistas, o melhor para nossa saúde é desconectar.

Então, depois de muito estresse, desativei minha conta no Facebook. Eu até achei que seria o fim desse foco de estresse, mas não. A grande maioria dos aplicativos e ferramentas online que uso para trabalhar estavam conectados ao Facebook. O Spotify, por exemplo, nem ao menos oferecia a possibilidade de logar sem a rede social (problema resolvido com o suporte, que está de parabéns). Tudo dependia do Facebook.

Foi aí que eu comecei a perceber a gravidade da coisa. Estou no Facebook há mais de seis anos e, de lá para cá, foram duas contas e milhares de informações que lancei na web para as grandes empresas do ramo dos algoritmos. Não tinha um dia que não olhasse o face, curtia e comentava coisas, compartilhava meus momentos, meus textos e minhas fotos. E, mesmo quando não tinha nada de interessante, o Facebook ainda dava um jeito de apresentar memórias antigas.

Mas de uns tempos para cá, tenho ficado mais ranzinza, é verdade. E toda aquela interação superficial, as brigas de opiniões, as receitas de bolo, as brigas religiosas, os bichíneos fofos e o deboche com a vida dos outros começaram a me incomodar profundamente. Coisas que eu faço e acompanho todos os dias, de repente, me pareciam autopromoção, falso, mentiroso...

Quando me desconectei do Facebook, também tentei diminuir o acesso às outras redes sociais e foi aí que percebi que a coisa era mais grave. Comecei a analisar as coisas ao meu redor. Até a avaliação do Uber, tanto a que você dá quanto a que recebe, é motivo de preocupação exatamente como no episódio “Nosedive” da série Black Mirror, que mostra como a dependência por likes pode afetar a vida de uma pessoa. Em todos os lugares, as pessoas a minha volta estão sempre com o celular na mão, sempre atualizando suas histórias, status e grupos. Uma mesa de bar rodeada de amigos com todos vidrados nos  seus smartphones.

O mais triste é que esses momentos de interação social costumam ser intercalados entre abraços e sorrisos para a selfie e o acompanhamento da repercussão do registro nas redes sociais. Eu precisei me afastar um pouco para ver que eu mesmo faço exatamente a mesma coisa. De repente, achei que o real não parecia tão interessante. A presença física não seria mais importante do que a virtual e distante, via aplicativos. Como de costume, nas mesas da vida, me senti só e precisei pegar o celular para procurar algum tipo de interação. E lá estava eu no ciclo de novo.



Sei que não vou me desconectar das redes. Primeiro, por não conseguir assim fácil e, segundo, por questões de trabalho, nem posso me dar a esse luxo, mas agora estou com mais inquietações do que quando assisti aos episódios de Black Mirror. Quando você vê a coisa acontecendo no seu comportamento, você sente o peso que isso tem na vida. Alguém mais já sentiu assim ou é só mais um devaneio de mesa de bar meu? 

Diogo Souza, 09 de maio de 2017
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Autor

autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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