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4 de dez de 2017

Afinal, será que eu peguei ranço mesmo? | Reflexão

Na foto: "Bette" Davis (1908-1989), uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro conhecida por interpretar personagens antipáticas, maldosas e problemáticas.

Cresci ouvindo as pessoas falando que tinham ranço de alguma coisa, na longínqua Simão Dias. Graças a Deus, a expressão pegou e hoje em dia todo mundo diz que “pegou ranço” de algo. O significado da palavra tem relação ao mau cheiro, seja de decomposição, mofo ou de ambientes abafados. No sentido figurado, o vocábulo vai além e, atualmente, também é sinônimo de repulsa e desprezo.

Parei para pensar sobre essa palavrinha, porque tive uma conversa com uma amiga sobre como o ranço definia muito o que sentíamos por certas pessoas, situações e lugares. Para terceiros, o papo poderia até soar arrogante e presunçoso, mas, para nós, revelou que um momento de transição está em curso. 

Algumas dessas coisas pelas quais nutrimos tal repulsa foi, em outras épocas, parte importante de nossas vidas. Eram pessoas e coisas que realmente gostávamos de ter por perto, pois nos faziam bem, nos divertiam, nos acalmavam, estimulavam ou mesmo ficavam inertes. Só que, em algum momento, a coisa mudou e deixaram de ser agradáveis. 
Mas como isso foi acontecer?

Fazendo um retrospecto – essa época do ano é perfeita para isso –, percebi que, em alguns casos, desentendimentos e brigas foram a causa da ruptura e afastamento. Em outros, a coisa foi silenciosa, pois se deu com o tempo e com pequenas atitudes que resultaram em um distanciamento definitivo. O curioso é que percebi que, nesses casos, não se tratava necessariamente de repulsa ou desprezo por essas pessoas e/ou momentos, mas, sim, um rearranjo das coisas. 





O tempo passou, os cenários mudaram e as prioridades são outras. Certas coisas não cabem mais em minha vida, pois não há mais espaço na minha estante de prioridades. Não que tenham se tornado ruins, é que simplesmente não fazem mais sentido para mim. Tiveram um significado importante no passado e podem até voltar a ter no futuro, mas no presente, não me cabem mais. 

Dessa conversa com minha amiga, percebi que o que temos chamado de ranço, são só as nossas prioridades mudando com o passar do tempo. 


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autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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