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4 de dez de 2017

Na foto: "Bette" Davis (1908-1989), uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro conhecida por interpretar personagens antipáticas, maldosas e problemáticas.

Cresci ouvindo as pessoas falando que tinham ranço de alguma coisa, na longínqua Simão Dias. Graças a Deus, a expressão pegou e hoje em dia todo mundo diz que “pegou ranço” de algo. O significado da palavra tem relação ao mau cheiro, seja de decomposição, mofo ou de ambientes abafados. No sentido figurado, o vocábulo vai além e, atualmente, também é sinônimo de repulsa e desprezo.

Parei para pensar sobre essa palavrinha, porque tive uma conversa com uma amiga sobre como o ranço definia muito o que sentíamos por certas pessoas, situações e lugares. Para terceiros, o papo poderia até soar arrogante e presunçoso, mas, para nós, revelou que um momento de transição está em curso. 

Algumas dessas coisas pelas quais nutrimos tal repulsa foi, em outras épocas, parte importante de nossas vidas. Eram pessoas e coisas que realmente gostávamos de ter por perto, pois nos faziam bem, nos divertiam, nos acalmavam, estimulavam ou mesmo ficavam inertes. Só que, em algum momento, a coisa mudou e deixaram de ser agradáveis. 
Mas como isso foi acontecer?

Fazendo um retrospecto – essa época do ano é perfeita para isso –, percebi que, em alguns casos, desentendimentos e brigas foram a causa da ruptura e afastamento. Em outros, a coisa foi silenciosa, pois se deu com o tempo e com pequenas atitudes que resultaram em um distanciamento definitivo. O curioso é que percebi que, nesses casos, não se tratava necessariamente de repulsa ou desprezo por essas pessoas e/ou momentos, mas, sim, um rearranjo das coisas. 





O tempo passou, os cenários mudaram e as prioridades são outras. Certas coisas não cabem mais em minha vida, pois não há mais espaço na minha estante de prioridades. Não que tenham se tornado ruins, é que simplesmente não fazem mais sentido para mim. Tiveram um significado importante no passado e podem até voltar a ter no futuro, mas no presente, não me cabem mais. 

Dessa conversa com minha amiga, percebi que o que temos chamado de ranço, são só as nossas prioridades mudando com o passar do tempo. 


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21 de nov de 2017

Foto: Ian Ricardo

Quarta, 28 de outubro de 2015

Insegura.
Tudo parecia bem, estava confortavelmente sentada, ouvindo música, quando como um tapa na cara, veio o receio. O receio de ficar sozinha.
O receio de nunca encontrar alguém paciente o suficiente para aturá-la. 
“Mas ele deverá amar até os seus defeitos”, dizem os amigos. Quem dera fosse assim tão fácil, já seria raro o suficiente encontrar alguém que a amasse, encontrar alguém que ame até os seus defeitos, seria pedir demais.
Por mais que parecesse madura ou que sequer se importava com isso, ela realmente ligava.
Com seus quase vinte e um anos, ainda era a insegura de dezesseis. A que gostava de clichês, os quais muito poucos viveu. Aquela que imaginava situações ao lado de outra pessoa, mas que tinha certeza que nunca aconteceria. 
Assim, começou a escrever.
Passou a escrever aquilo que tanto ansiava, mas sabia que muito provavelmente não teria. A fase passou, e ela continuou a dizer que não se importava, que não tinha tempo, que tinha outras prioridades. E, por mais que repetisse diversas e diversas vezes, sabia que apenas se enganava.
Então, quando sozinha, ela chorava.
Pensava o que poderia ter errado com ela, perguntava-se por que todas as vezes ela tentou, não dera certo. 
Bem, talvez fosse sua culpa, ela que era complicada demais. Ela que tinha traumas demais. Ninguém era obrigado àquilo.
Porém, por mais que tentasse, por mais que desse o melhor de si, por mais que calasse, de nada adiantava.
Sendo assim, as pessoas desistiam dela. 
Não é como se pudesse culpa-las, afinal. Citando uma frase que muito saía dos lábios dela “ninguém é obrigado”.
Mexeu a cabeça e, por um tempo, decidiu deixar para lá. Sabia que, quando sozinha, tudo voltaria, mas naquele momento, ela parou de se importar.
Que os finais felizes ficassem para seus personagens.

(Por Thiarlley Valadares)




Thiarlley Valadares

Jornalista, cristã, escritora de fanfictions e péssima dançarina nas horas vagas! Apaixonada por cupcakes, viciada em leite condensado e fã de Desventuras Em Série.  Autora do blog Apenas Fugindo desde 2010 e escreve para compartilhar sentimentos, anseios, desejos e paixões.

Site: Apenas Fugindo       Facebook: Apenas Fugindo Blog     Instagram: @apenasfugindo

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7 de nov de 2017


Hey, vai devagar
Já passei do tudo ou nada
Diga-me alguma coisa
Não se trata de sim ou não
Eu não sei se estou agindo certo
Você não entenderia

Talvez eu esteja confortável demais aqui
Experimentando uma paz que jamais havia sentido
Eu não vou pular do penhasco
Eu gosto do vento daqui de cima
Pode não parecer certo
Mas isso me faz bem

Isso é um processo
E só estou deixando estar
Estou tentando me adaptar
Não vou avançar antes de estar certo
Não há paz nos extremos
Estou bem aqui em cima
Não queira me deixar pra baixo

A loucura é saborosa
Mas é muito solitária
A coisa flui positivamente
Quando ninguém me pressiona
Vou deixar minhas cicatrizes ao sol
Adoçar o amargor das lembranças
Eu já estive lá em baixo
Eu gosto do vento daqui de cima


Diogo Souza, 24 de julho de 2016. 
Aracaju-SE


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18 de out de 2017



Confira a poesia da escritora convidada do nosso blog, Carolina Barreto: 


Moça


A moça olhou para mim, aqui dentro 
De um jeito que ninguém soube ver 
Foi quando me vi apaixonado por ela!! 
Sem a necessidade de forçar a vida a nos manter juntos
vivo com ela o amor livre do egoísmo
E suave feito aquele doce
O mais doce de todos
Daqueles quando colocado na boca ,olhinhos viram

Ela só fez chegar e já me tomou pelo peito
Tivemos histórias paralelas 
E num dia de choro no céu e na terra, nos reencontramos 
Antes da moça chegar eu era singular
Desde então eu descobri que nessa vida
Eu vim para ser plural e me tornar um só ser junto dela. 
🌼 Moça 🌼


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5 de out de 2017



“Afinal, quem é você? Diogo ou o Cara do Espelho?”. 

Foi isso que me perguntaram outro dia e, sinceramente, não sei mais dizer. Por muito tempo mantive os dois separados. Na verdade, o Cara era uma via de escape para emoções presas. Como se eu tivesse que manter minha essência dividida em dois e alternar entre um e outro.

Tudo começou num dia sombrio quando esbarrei com o espelho e me perguntei: quem é você, cara do espelho? Engoli seco por não saber a resposta. O estado depressivo nos desconecta de nós mesmos e eu estava tão preso dentro de mim que me perdi lá dentro. 

Um refrão ecoava insistente no rádio: “estou começando com o homem no espelho/ estou exigindo que ele mude seus modos”. Foi quando percebi que estava com uma venda, uma mordaça e tampões no ouvido que coloquei enquanto construía uma fortaleza de cristal ao meu redor. E a canção continuava “se você quer fazer do mundo um lugar melhor/ olhe dentro de si mesmo e faça aquela MUDANÇA”.




frases, pensamentos, reflexão


Não dependia de meus pais, dos meus amigos, dos meus professores, a mudança dependia apenas de mim. Foi assim que comecei a escrever e vi minha vida inteira mudar. Pois nós não somos nada, estamos somente de passagem, então não precisamos ser ou pensar a mesma coisa a vida toda.

Quando me esqueci disso, a depressão e ansiedade voltaram e precisei analisar o que estava errado. Em algum momento, baixei a guarda, deixei que certas coisas me atingissem e me anulei. 

Percebi que estava preso dentro de um personagem mais uma vez, como se quisesse manter a imagem de um Diogo que não existe mais. E isso não era mais possível, pois eu mudei! E vou continuar vivendo, aprendendo e mudando.

É tempo de sair do personagem, esticar os braços e as pernas e tirar o peso das costas. Olhar a si mesmo e se reconhecer sem máscaras, aceitar nossas forças e fraquezas e saber que são essas duas medidas que nos fazem ser quem somos.

Para mudar, não basta se colocar diante do espelho, é preciso encará-lo e mergulhar no próprio reflexo. Refletir por si só, descobrir-se. Isso é encontrar a luz e a paz interior. 

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12 de set de 2017


Foto: Nola Fotografia
Quando eu digo que curso jornalismo, as pessoas costumam falar: “vai ser o novo William Bonner”, “vai ser o novo Evaristo Costa”. Quando digo que eu gosto de escrever e de literatura, me dizem: “vai ser o novo Rubem Alves” (que pretensão). E assim vai, para cada tarefa que faço, um novo ícone é lançado como sendo o meu suposto objetivo de vida.

Mas não me interessa ser nenhum deles! Eles são maravilhosos, mas não quero ser a nova versão de ninguém. Primeiro, porque é impossível ser outra pessoa, correto? Segundo, porque a única pessoa que eu quero ser é um novo eu.

Mas parece que o importante é comparar, enaltecer uns e diminuir outros. Colocam em nossas cabeças que precisamos ter o mesmo sucesso de alguém. Essa semana, li uma frase que dizia que não devemos comparar nossos bastidores com o palco do vizinho. Isso foi um choque de realidade.

Eu estava acostumado a achar que não conseguiria ter leitores no blog, seguidores nas redes sociais e, o que mais me afligia, ter uma carreira no jornalismo, mesmo com minha essência pedindo literatura. Eu via tantos escritores tendo sucesso com seus projetos, tantos jornalistas escrevendo e lançando livros. Mas o sucesso era sempre com eles e nunca comigo, eu nem tentava imaginar o tamanho do trabalho que eles tinham com seus blogs. Queria ser igual a eles, chegar naquele patamar.

Fui me moldando para fazer essas coisas acontecerem, mas não aconteciam. Mas o que eu sabia sobre o trabalho deles? Se eu detesto ser comparado aos outros, por que eu estava me fazendo essas mesmas comparações? Assim como eles, eu precisaria trabalhar duro em meus objetivos, pois o sucesso deles não veio por acaso, não foi fácil. Precisei repensar isso, rever certas atitudes e a conclusão foi simples: eu não quero o lugar de ninguém, quero conquistar o meu lugar.

O primeiro passo foi parar de olhar para o gramado verde do vizinho e cuidar mais do meu jardim. Me recordo que, há quatro anos, o único lugar para onde meus textos iam era a minha gaveta. Então criei o blog. E isso não foi nada, pois tive que aprender a usar as plataformas, tive que conseguir público, desenvolver minha escrita e tantas outras habilidades. Durante o curso de jornalismo, vi diversos blogs – semelhantes ou não ao meu –  surgirem e serem abandonados por colegas que viram que não é simplesmente publicar e deixar o conteúdo lá.

Anos depois, o mesmo blog ainda me dá muito trabalho, mas ele se tornou o meu diferencial e, graças a ele, consegui estágios, freelas, amigos, leitores e a coluna no portal de notícias. E eu não poderia esquecer essas conquistas pelo simples fato de não ter o mesmo número de acessos que um outro blog tenha. Cada vitória, por menor que seja, e cada espaço que consegui abrir para meu trabalho foi porque fui eu mesmo, porque eu não quis ser alguém diferente.

Quando disse lá no começo que só quero ser um novo eu, não é mentira. Minhas referências me inspiram e me ajudam a me (re)compor. Então, quero ser eu mesmo de maneiras novas para me renovar... me reinventar, pois é isso que movimenta minha escrita e é isso que faz a minha arte. São os meus estados emocionais, as minhas fases, os degraus que subo e todas as mudanças, as que eu sofro e também as que eu promovo. Tudo isso faz parte da minha trilha que é única, ou seja, não é igual a de mais ninguém.

A gente caminha melhor quando sabe que cada um faz seu próprio caminho.

Diogo Souza, em 4 de setembro de 17


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28 de ago de 2017


Uma boa notícia para quem curte os meus textos é que agora você também vai poder ler minhas crônicas no portal Soma Notícias de Aracaju. Fui convidado pela equipe do Soma para ser um dos colunistas literários e aceitei o desafio. 

Minha coluna vai ao ar aos sábados e vai trazer reflexões sobre a vida, relacionamentos, autoconhecimento e os meus insights que vocês já me conhecem.  

Muito obrigado ao pessoal do Soma Notícias pelo carinho e confiança. 

O primeiro texto já está disponível lá e é sobre uma síntese sobre o que já escrevi aqui antes: mudanças

🔗 Leia agora: Viver é Mudar. 



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4 de ago de 2017

Mais um ano se passou! Hoje, dia 01 de agosto, o nosso blog completa 4 anos. É muito bom ver um trabalho que faço por amor estar ido cada vez mais longe. Muito obrigado a todos que acessam o blog, que leem os textos e nos seguem nas redes sociais. Continuem por aqui!

Para comemorar os quatro anos, fiz um um vídeo especial respondendo a Tag Me conhecendo Melhor, pois nunca é tarde para se apresentar melhor, não é mesmo? 
E durante todo o mês de agosto, o blog terá postagens inéditas numa temporada especial. Fique ligado e não perca as novidades. 



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18 de jul de 2017

O texto a seguir é um fragmento de um conto escrito e abandonado por mim em 2014. Vai desculpando aí qualquer coisa. 😅


Foto: Haven; Home, Safe

“E o que sabe sobre mim?”, perguntei ao meu novo aluno/cliente.

“Não me disseram muito. Mas sei que você é jornalista formado há quase dois anos, trabalhou em dois jornais e em três portais de notícias e é escritor”.

“Se tivesse dito ‘é um fodido’ teria tido menos trabalho e teria passado a mesma informação”.

“Não exagera”.

“Primeira lição, Erick: escritores são exagerados, mas você pode dizer ‘intenso’, pra soar melhor”.

“Anotado! Mas você deixou o jornalismo?”.

“Não sei dizer, talvez o jornalismo tenha me deixado. Me formei e de lá pra cá não consegui um emprego fixo. Daí eu faço freelas aqui e acolá para dois portais de notícias. Era mais fácil na época da facul, sempre rolava algum estágio, nem que fosse para assessoria de uma mulher fruta ou uma ex de um jogador ou político famoso. É uma área complicada nesse aspecto”.

“Mas você desistiu?”.

“Não desisti, mas desencanei e deixei as ilusões de lado”, olhei o violão preto deitado no outro sofá, depois reencontrei seus olhos atentos e continuei: “A gente sonha mudar o mundo, fazer a diferença, mas o tempo passa e o sistema se mostra mais poderoso, tem que pagar as contas, se alimentar, viver... Você acaba perdendo o entusiasmo e a vontade de mudar. Termina vencido, fazendo exatamente a mesma coisa que um dia tanto condenou”.

“Que coisa é essa?”

“O mundo dos adultos”.

Fizemos silêncio por um momento, adicionei uma nota mental para anotar aquele trecho da conversa assim que tivesse oportunidade. Só depois a conversa seguiu menos dramática e mais informal, falamos mais sobre nós mesmos e passei alguns exercícios de escrita e estilo para ele. Ao fim da tarde, me senti aliviado pelo trabalho cumprindo e por esse cliente não ser um louco qualquer.  


(Trecho do conto Saudade do que não viveu. Por Diogo Souza, em abril de 2014)

 

Leia outro fragmento desse mesmo conto clicando aqui: Saudade do que não viveu


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16 de jul de 2017

Em 01 de agosto, o Canal do Cara do Espelho volta com uma temporada especial! Inscreva-se no Canal e ative as notificações. 



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11 de jul de 2017

Uma das priores coisas que já me aconteceram foi a ansiedade. As crises que tive no final de 2016 e nos primeiros meses de 2017 foram assustadoras. Nunca imaginei que a ansiedade fosse assim e, muito menos, que poderia acontecer comigo.

Foi uma fase muito complicada e dolorosa, mas tive a sorte de não estar sozinho e poder contar com amigos e família. O tratamento não é simples e os efeitos das crises se prolongam por muito tempo. É uma luta. 

No meio desse furacão, um dos meus calmantes era a poesia. Escrevia nas longas noites de insônia e pânico. Era um modo de calar as vozes que faziam minha mente girar.

O poema de hoje foi escrito exatamente assim, por isso o tom dramático dos versos. 
Mas a publicação desse poema, hoje, é uma forma de mostrar que é possível enfrentar e vencer esse problema. 
  

Um homem que não está bem

Eu não vejo as luzes de Paris
Caminho sem pressa
Meus ombros pesam
Um terremoto nas mãos
Eu não queria sentir o que sinto
Eu não sou assim
Eu não queria ser um homem mal
Mas isso não está certo
Eu aprendi a relevar tudo
Mas agora não dá

Porque eu sou um homem que não está bem
E isso dói, ninguém deveria se sentir assim
Estou triste quando deveria estar feliz
Porque eu sou homem triste demais
Por não saber o que há com minha alma
Com medo de enlouquecer sob a chuva

Enquanto eu penso, não consigo dormir
Minha mente descarrilha
Eu não costumo ser assim
Minha mente numa montanha russa
Há alguém ao meu lado, mas ainda assim
Eu sou um homem que não está bem
Não me pergunte o que há porque eu não sei

Estou caindo no vazio em espiral
Ninguém leva a sério quando peço ajuda
Todos dizem que sou forte como uma rocha
Mas eu não sou....
Porque eu sou só um homem que não está bem

Diogo Souza, em 12 de janeiro de 2017

Se você está passando por problemas com a ansiedade, converse com sua família e seus amigos e procure ajuda. Conte o que está acontecendo! Você não está sozinho nessa. Se não souber com quem conversar, pode falar comigo pelo Facebook aqui: http://m.me/diogocaradoespelho

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5 de jul de 2017

Ao som de You & I, de Lady Gaga.


A camisa abotoada como sempre até o último botão, o sorriso contido, olhar tenso e observador. Passos apressados vindo do carro para o bar. Eu sigo aqui sentado com meu jeans desbotado, minha camisa aberta e óculos escuros para disfarçar minha antiga mania de observar você. Era o mesmo velho bar na beira da estrada, aquele cheiro de álcool ainda estava lá, a mesma mesa afastada e os assentos estofados de couro velho e surrado. 

O mesmo rock ‘n’ roll dos anos 60 tocava em alto-falantes sem potência nem definição. O solo da guitarra envenenada se contorcia sob a voz do cantor que cantava algum amor mal resolvido. Uma garrafa vazia rolou por uma das mesas até espatifar-se no chão anunciando, sem saber, a sua chegada. O retorno. Mais um. O quinto em seis anos.

Por favor, chegue e não faça tanta cerimônia, pois sabemos muito bem quem somos e o que nos trouxe aqui. Sente-se aí e vamos beber o de sempre, derramar doses de lembranças no copo até esvaziar a garrafa do nosso passado. Não comece a rir como antes, eu estou vacinado de muita coisa, mas acho que não contra esse seu sorrisinho. É meu ponto fraco. É a minha criptonita, se quiser saber. 

Você adora ouvir minhas histórias, mas não vá usar nada do que eu disser aqui contra mim, pois se você acha que sabe de muita coisa, te garanto que não sabe quase nada da minha capacidade de guardar sentimentos e depois vomitá-los em forma de palavras cruéis e agressivas. Quer dizer, você já sabe.

Como das outras vezes, vamos para a minha casa, vamos deitar na grama, olhar a Lua cheia e as nuvens e compará-las a algodões doce, iguais àqueles que comprávamos quando éramos pequenos e passávamos horas no parque de diversões, sem mais preocupações nem ambições. A época em que ser o que éramos não ofendia um ao outro.   

Mas agora você está o tempo todo se vangloriando de ter o que tem e de parecer o que sempre quis. E eu continuo aqui sentado na varanda da minha casa, compondo canções com meu velho violão, sem me preocupar com o que as pessoas possam pensar sobre mim. Cobiço apenas respirar o ar que couber em meus pulmões.

Meu cigarro mal fumado está no chão rindo de você. 

Por favor, corta esse papo que com o terceiro copo sua máscara cai e a frustração passa a ser seu discurso. Não tenha vergonha, aceite os fatos! Você volta à estaca zero quando o coração amolece e sua p**a fica dura. Que grande merda é você.

Sei até o que vai dizer: “eu tenho tudo, mas não tenho nada; vivo cercado de gente, mas não tenho ninguém em quem confiar; seria tão bom se você estivesse ao meu lado. Só você me entende”. 

“É, mas você não é centro do universo e não estou aqui pra ser mais um dos seus caprichos”. 

“Eu largaria tudo pra ficar aqui com você nesse fim de mundo, mas eu não posso! Vem comigo, começar uma vida nova”.

Não, não vamos recomeçar isso. Geralmente esse papo vem na quinta dose, não pule as fases, baby. Olha o roteiro, você não vai querer que eu acredite que isso possa ser sincero de novo.  Você está sempre tentando me mudar, apenas para me encaixar no seu padrão, mesmo sabendo que eu não sou adepto desse tipo de coisa. Eu tenho a mente aberta demais para encerrá-la em um único templo. 

Você está acostumado a derramar rios de verdades absolutas e seus conceitos de certo e errado. Então quando alguém lança um argumento com uma visão diferente da sua, você ataca ou foge. Você ataca e depois foge! Mas você volta. Volta pra mim... e de cabeça baixa, implorando por mais um beijo. 

Mas, enquanto bebe mais uma e não se convence de que não vai me convencer, você recomeça o discurso reclamando DELES: “eles não entenderiam, eles não aceitariam, eles não respeitariam, eles não permitiriam”.

E-L-E-S

“Eles’?! Quem são essas pessoas e que diabo de importância elas tem para te impedir de ser você mesmo? Cara, sinto informar, mas isso é doentio”.

Vamos para a sexta dose, ela significa muito. Agora é a hora que você me acompanha em silêncio e vamos até minha casa, para o meu jardim ver o pôr-do-sol. Você fica melancólico e me diz que faria tudo para me ter de volta e eu digo que nunca fomos um do outro. 

Você diz que nunca deveríamos ter acabado, eu digo que talvez nunca tenhamos começado de verdade. Você sabe: é nesse ponto que nos aproximamos, baixamos as armas e transamos como na primeira vez. É nosso ritual, ele precisa acontecer. 

Que as primeiras estrelas da noite nos abençoem e nos perdoem.

Existe uma magia aqui, é aqui que as coisas acontecem. Grandes coisas. Em ciclos. Não importa quanto tempo passe, eu sei que você vai voltar, porque alguma coisa que te prende aqui: a liberdade. Mas ela te assusta.

Quanto tempo vai passar até você ir embora de novo e eu me (re)acostumar com meu próprio silêncio? Então você regressa e terminamos aqui de novo, exatamente como seis anos atrás. E seis anos não são seis dias.

Acho que nessa de querer mudar um ao outro, mudamos mais do que deveríamos. Nós fomos longe demais tentando nos aproximar e os nossos mundos nunca se encontraram de verdade, talvez porque nunca tenhamos tido coragem de explorar um novo mundo, só nosso. 

Então a cada ano nossas órbitas se aproximam e se cruzam. E acho que vai ser assim por muito tempo, até o dia em que elas finalmente se chocarem. Aí sim talvez possamos ser um só... ou milhões de pedaços.

Por Diogo Souza, em 07 de fevereiro de 2015



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27 de jun de 2017



Vou me pendurar no lustre, no lustre
Vou viver como se não houvesse amanhã (Sia – Chandelier)

Você já olhou para o céu numa noite escura e sem nuvens e se sentiu tão pequenino quanto um grão de areia? Não? Deveria. Desde guri sou fascinado pelos céus. Aprendi que era lá onde Deus movimentava e observava toda essa loucura toda aqui em baixo. Também ficava imaginando se haveria, por essa imensidão espacial, outro moleque observando os céus como eu, adoraria conhecê-lo. 

Acredito que olhar o céu e se reconhecer como uma pequena parte de um todo, até então conhecido como infinito, é o maior ato de humildade e de humanidade que um ser humano pode fazer. Isso independe de crenças religiosas ou de rituais. É voltar às origens, voltar bilhões e bilhões de anos-luz até o Big-bang e simplesmente explodir e expandir. É expandir a mente ao infinito e saber que o céu não é o limite. 




Saber que assim como as estrelas, todos aqui em baixo seguimos nossas órbitas (regulares ou não). Somos como constelações, estrelas que se observadas isoladamente não fazem muito sentido, mas em conjunto com outras, ainda que distantes, constituem formas, desenhos e significados. Olhar o céu me faz lembrar que precisamos um do outro para fazer sentido, que não somos o centro de nada, que há uma força maior nos guiando (divina ou meramente social, não sei). Olhar a imensidão do universo não me faz sentir pequeno, muito pelo contrário, me sinto especial. Isso me faz sentir único! Um cara extremamente sortudo por fazer parte de algo tão grandioso como a vida.


07 de julho de 2015 – 19 de outubro de 2015 
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22 de jun de 2017



O meu blog Cara do Espelho foi indicado ao " Versatile Blogger Award" pelo Nilton Alves, do blog Eu, meus livros e você. Que legal ver que o meu trabalho está sendo reconhecido.

E para quem não sabe o que é o Versatile Blogger Award, se trata de uma iniciativa para que blogueiros destaquem o trabalho de outros blogueiros, tipo uma troca sabe? Para incentivar ainda mais os blogueiros a criarem conteúdos com muita qualidade e se manterem ativos – isso é quase que um desafio.

De acordo com o VBA, assim que você recebe a indicação, tem que cumprir algumas regrinhas. São elas:

Agradecer à pessoa que lhe concedeu o prêmio:
Muito obrigado, Nilton Alves, por indicar o Cara do Espelho para o VBA. Forte abraço!

Mencionar o blog da pessoa que lhe concedeu o prêmio: 
http://eumeuslivrosevoce.blogspot.com.br 

Selecionar 15 blogs para também receberem o prêmio: 

1. Apenas Fugindo - http://www.apenasfugindo.com/
2. Só sei que vou - http://soseiquevou.blogspot.com.br/
3. Insistivo - http://insistivo.com/ 
4. Blog Que seja leve - http://quesejaleve.com.br/ 
5. Soldado da paz - http://www.soldadodapaz.com.br/ 
6. Seja amável - http://sejaamavel.blogspot.com.br/ 
7. Sinto logo poetizo - https://www.textie.com.br/autor/587d030bb6cbe60400af72df/public?tab=public 
8. Cartel da Poesia - http://www.carteldapoesia.com.br/ 
9. Lírios ao mar - http://liriosaomar.blogspot.com.br/ 
10. Um oceano de histórias - http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/ 
11. Lendo 1 bom livro - http://www.lendo1bomlivro.com.br/ 
12. Inspirando Sonhos - https://www.inspirandosonhos.org/ 
13. Paris só de ida -  http://www.parissodeida.com.br/
14. Meusegredos Bell - http://meusegredosbell.blogspot.com.br/
15. No mundo dos livros - http://www.nomundodoslivros.com 

Contar à pessoa que me indicou, sete coisas sobre mim:

1- Sou muito fã de Michael Jackson
2- Sempre escrevo ouvindo alguma música para criar uma atmosfera criativa.
3- Escrevo desde 2009.
4- Comecei a cursar jornalismo por amar a escrita e, agora, no fim do curso, penso em largar o jornalismo por amar a escrita.
5- Sou viciado em pizza.
6- Também sou viciado em café.
7- Tenho uma pasta com um monte de textos inacabados. 



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20 de jun de 2017


A noite se prolonga e eu não posso dormir
Sinto minha alma em chamas
Enquanto o silêncio grita comigo
Eu sei que ela está chegando
O vento bate minha janela
Os relâmpagos invadem meu quarto
Ouço o som dos trovões, ela me chama
E vou ao seu encontro

Chuva, chova dentro da minha alma
Chuva, eu também sou tempestade
Chuva, agora eu faço parte de você
Chuva, talvez só você me entenda

Agora chove em mim 
Os pudores escorrem pelo chão
Entregue de corpo e alma
Chuva doce e fresca
Que me acaricia
Que me agride
Como mentiras e verdades
Limpando a visão
Sob os flashes elétricos
Sob o canto dos céus 

Chuva, lave a lama de mim
Dê-me outra oportunidade
Deixe-me transbordar
Chuva, lave minha alma
Leve aquilo que não posso carregar
Lave-me da religião, do pecado

Doce e implacável chuva, eu imploro
Leve minhas angústias
Lave minhas mágoas
Desmanche minhas máscaras
Doce e implacável chuva
Lave minha saudade
Lave o que não se desfez
Lave-me dos meus excessos

Chuva, há um incêndio em meu peito 
Chuva, me liberte
Chuva, me abrace
Chuva, não me deixe deserto
Chuva, por Deus! 
Eu imploro! Purifique-me!
Permita ao meu coração florescer
Chuva, lave minha alma


Diogo Souza,
22 de outubro de 2015
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13 de jun de 2017



Finalmente o reencontro, estou frente a frente com uma página em branco e, depois de tanto tempo sem nenhuma novidade, descubro que nada está como antes. 

Passamos a vida buscando estabilidade em todos os aspectos possíveis e vamos construindo nossos castelos, fazendo o possível para manter tudo do jeito que está. Mas as coisas não são tão simples, o tempo passa e a zona de conforto começa a ficar desconfortável, cada vez mais apertada. Sufocante.

Como pode aquilo que construímos com tanto trabalho para nos deixar em paz e seguros nos causar dano? Somos humanos, seguimos uma longa e incessante jornada, sempre em movimento. Desde o nascimento até a morte. Precisamos nos movimentar, seguir o fluxo da vida. Então, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos ficar da mesma forma e no mesmo lugar. Nossos pensamentos mudam, assim como a nossa pele enruga com o passar dos anos.

Eu mesmo passei por um longo processo de mudança interior há alguns anos, enfrentei muitas crises internas e custei a compreender o que se passava comigo. Saí fortalecido e mudado desse processo e isso foi ótimo. Mas acabei achando que eu era somente o que me tornei depois de passar daquela fase e esse foi o meu erro, pois eu sou muito mais do que aquilo, tanto em coisas boas quanto em ruins.

De certa forma, criei um novo personagem para mim e acreditei nele. Muito mais do que a ser, me obriguei a sempre aparentar ser forte. Então vendi uma imagem minha que, embora não fosse totalmente falsa, não era a única faceta. Então, quando os momentos de fraqueza e instabilidade chegavam, acabava me esforçando para ignorá-los ou atacá-los com a força que eu não tinha.

Esse é o perigo de não querer mudar, você aceita uma forma de ser e agir e se priva de ser você mesmo em sua totalidade. Sei, é confuso, mas é exatamente assim que estou: confuso. E, acredite, isso não é ruim, pois me acostumei a estar sempre no controle e, como isso não é possível 100% do tempo, sofro com ansiedade e estresse.  Então, considero uma vitória agora aceitar o fato de que eu não posso estar bem a todo o tempo.




É tempo de sair do personagem, esticar os braços e as pernas e tirar o peso das costas. Olhar a si mesmo e se reconhecer sem máscaras, aceitar a força e a fraqueza e saber que são essas duas medidas que te fazem ser quem é.

Diogo Souza, 
04 de janeiro de 2017, às 19h:29


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Autor

autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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