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22 de fev de 2016


Quando um trabalho da Universidade rende um texto pro blog

Em outubro do ano passado, meu professor de Linguagem e Mídias propôs uma atividade de observação e descrição de ambientes. O resultado foi este texto descrevendo uma balada que me agradou enquanto aluno, jovem e escritor.


Foto: reshareit.com




A noite de sábado estava quente, passavam das 23 horas e os portões da casa de shows seriam abertos a qualquer momento. Centenas de jovens aguardavam o início da festa pelas imediações conversando, bebendo e fumando, alguns até já dançavam. Estavam todos aglomerados em pequenos grupos, a maioria de três a cinco pessoas, era muito raro ver alguém solitário. Quase todos portavam os celulares na mão, muitas selfies eram feitas, mensagens enviadas e contatos trocados. Diferente das outras filas de espera, aquela não era apressada nem impaciente, a fila também era festa, confraternização e interação. 

Somente depois das 00h:00 a festa teve seu início elegante, a casa de shows já estava cheia e fervilhante quando a primeira música começou a tocar e o público reagiu com grande entusiasmo. A dança aparentemente desordenada ganhava estilo especial com os efeitos da iluminação. Os cheiros se misturavam todos, o aroma desinfetado inicial do ambiente dava lugar aos perfumes e suor das pessoas, aos seus cigarros e a suas bebidas. Algumas, mais empolgadas, pareciam ter ensaiado toda a semana para fazer as coreografias dos hits pop tocados. E, mesmo os sóbrios, pareciam embriagados pelo ambiente, talvez fossem os tais feromônios da multidão.

No palco, os Djs dividiam a tarefa de não deixar ninguém parado. Entre beats e doses de tequila, eles agitavam e brincavam com as músicas como se pilotassem uma nave perdida no espaço sideral. Na pista de dança, a música alta não permitia grandes diálogos, então os olhares entre as pessoas eram diretos, sensuais e convidativos. Casais de todos os tipos e gêneros se formavam por ali e continuavam pelos cantos mais escuros da boate. Vez ou outra, alguém mais embriagado que o normal desequilibrava no meio da dança e quase gerava um efeito dominó. Por toda a parte selfies e mais selfies.

A noite parecia não terminar, mesmo depois de longas horas ininterruptas de festa. As pessoas já não pareciam as mesmas, seus cabelos não estavam como antes, a maquiagem de algumas das garotas escorria, seus movimentos e expressões faciais não eram “normais”. O calor intenso, a música, a bebida (e outras substâncias), além de todos os cheiros, criavam uma atmosfera de exaustão e transe. A pista foi esvaziando até que as portas foram abertas e as primeiras luzes da manhã do domingo finalmente chegaram para todos ali. A balada terminou deselegante.

Diogo Souza,

29 de outubro de 2015
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15 de fev de 2016

Modelo: Michele Nola

Dedicado à Juliane Barbosa e Michele Nola

Ela tem uma visão de mundo extraordinária
Aprendeu a ser livre, mesmo quando sua família
A prendia em correntes pesadas e enferrujadas.
Ela nunca acreditou que seria como sua irmã mais velha
Pois sempre quis ser ela mesma,
Nada mais, nada menos
Mas ainda precisava descobrir quem era

Enquanto as meninas sonhavam com o príncipe
Ela sonhava ser a dona do próprio destino
Enquanto as garotas falavam sem parar
Ela ouvia um velho rock ‘n’ roll
Olhando para o horizonte com a forte certeza
De que nada poderia parar seus sonhos
Ela sonhava ser a dona do próprio destino
“Mãe, eu sou livre”

Tudo o que ela queria era ser livre
Então ela se libertou
Não há nada que possa segurar
Um coração livre
Que quer voar enquanto existir horizontes
Sua mãe uma hora vai ter que entender
Que ela nasceu pra ser uma garota livre
Nada mais, nada menos do que ela mesma
Uma garota livre.

Ela vai longe porque não se prende a nada
O que move sua vida é a sede de viver
Então será mais uma dessas que você verá
E se perguntará: “pra onde vai aquela garota?
Quem é aquela garota?”
Então alguém vai dizer
Aquela é a garota livre

Diogo Souza,
08 de junho de 2015
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1 de fev de 2016





“(...) a zoeira que eles faziam ecoava pelas planícies,
recobrindo por completo aquele mundo descolorido no qual eles viviam.”
(Jack Kerouac – On The Road)


Ladeira abaixo, seguimos madrugada adentro, sem mais propósitos e com apenas outra proposta insana de futuro em mãos. O cheiro pantanoso ficava cada vez mais forte à medida que nos aproximávamos do grande rio. O ar puro invadia nossos pulmões e ia recarregando as energias naquela madrugada desertora. Éramos duas almas vagando na mais vagabunda das noites, buscando qualquer motivo novo para sorrir, seguir adiante e se mexer. Mexendo e mexendo no ritmo dos acordes espanhóis que aprendemos com um mendigo filósofo louco que conhecemos na última cidade por onde passamos.
“Ah, isso sim é que é dançar”, repetia enquanto mordia minha orelha.
Liguei o rádio e captei uma frequência de rádio pirata, na qual um locutor fora da lei fazia um discurso revolucionário e romântico em plena madrugada no meio do nada. Palavras como aquelas jamais seriam ouvidas nas rádios tradicionais – e alienantes, como ele acertadamente devia pensar. Talvez fôssemos sua única audiência.
“Porque a vida é isso”, dizia ele, tomado por enorme excitação, “uma eterna página em branco a ser escrita, desenhada e rabiscada; é um novo livro na cabeceira da cama pronto para ser lido ou trocado. A vida é puramente uma seleção aleatória de histórias loucas de amor e amizade”.
Buzinamos e paramos para um louco na estrada, mas ele não aceitou a carona porque disse que não ia a lugar nenhum e seguimos ao som da rádio pirata. Olhava pelo retrovisor tudo que ficava para trás e pensava na vida. Eu que sempre tive milhares de teorias do que era certo e errado, já não tinha medo das páginas em branco e das mudanças. Rasguei minhas agendas e meus roteiros. Derrubei minhas fachadas. Sorri pro céu e gritei bem alto: “Aleluia, irmão!”
Acelerei e não posso mais parar!
Eu não sei bem se acredito nessa história de alma-gêmea, mas de todas que já tive no último ano, essa é a mais louca e a mais verdadeira. Não sei no que isso vai dar, onde essa viagem vai parar e nem mesmo o que eu serei daqui um ano – aliás, não sei nem o que serei amanhã. Cruzamos as últimas fronteiras que nos prendiam aos nossos enigmáticos passados e entramos numa nova estrada, agora sob a luz do Sol nascente, um amanhecer espetacular.
“As essências destas duas almas viajantes foram irremediavelmente misturadas. Oh, sim... sim, ouvintes! Elas foram fundidas para todo o sempre e agora não há cristão capaz de fazê-los parar. E que não se atrevam!”, gritava o locutor doidão antes de perdemos a frequência da rádio e o deixarmos para trás, assim como todo o resto.

Diogo Souza, 13 de julho de 2015, às 00h:47min.

(Ao som de Bruno Mars – Uptown Funk)
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Autor

autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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